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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Miquéias Paz, o Mímico de Brasília.


Miqueias faz parte dos mímicos da geração 80. Os mímicos que saíram pelo Brasil divulgando essa arte logo após o término da ditadura militar. Nomes de peso como Everton Ferre, Fernando Vieira, Alberto Gaus, Cleber França, Cleber Moura Fé, Lina do Carmo, Denise Namura e Miqueias Paz, só para citar alguns, fazem parte de uma geração intermediária e responsável por contribuir para que esta arte conquistasse o espaço merecido no cenário Brasileiro.
Meu primeiro contato com Miqueias Paz aconteceu por volta de 1988,quando meu mestre,  o mímico Everton Ferre,  mostrou o genial roteiro da pantomima “O Incêndio”, e que virou um dos meus principais “Cavalo de Batalha” durante os anos 90 e atualmente. O Incêndio é uma pantomima bem divulgada no Brasil e é interpretada por váiros mímicos, principalmente os da geração 90, dentre eles, Álvaro Assad e Marcio Moura que, posteriormente, desenvolveram grande pesquisa a partir deste quadro.
O Criador dessa história (O Incêndio) no Brasil foi Miquéias Paz. Falava-se muito de seu trabalho e todos os aprendizes que tinham contato com o mímico Everton Ferre queriam conhecer o incrível mímico de Brasília, sempre muito bem falado comentado e que fora criador da pantomima que sacode o público brasileiro a quase 3 décadas.


Com casa lotada, Miqueias é aplaudido de pé pelo público brasiliense
um reconhecimento merecido.
Miqueias, surpreendeu o Brasil mais uma vez, ao idealizar a primeira grande mostra de mímica com porte internacional, marcada pela presença de estrangeiros e brasileiros. A Primeira Mostra de Mímica de Brasília, trouxe novidades inéditas por aqui: A principal delas foi o alcance da mídia que deu cobertura nacional ao evento;  o segundo marco foi a ousadia na forma como o evento foi colocado perante a comunidade brasiliense e nacional, com uma forte mídia local e uma estratégia de marketing que elevou o status da nossa arte, retirando-a de uma “pecha alternativa” e colocando-a em contato com o grande público, tanto que a Sala Plínio Marcos, da Funarte em Brasília, lotou todos os dias em duas sessões diárias de QUINTA A DOMINGO.

O espetáculo "Retratos de Meu Brasil Brasileiro" é mais um achado dentro
do estilo própiro de Miqueias Paz.
Miqueias Paz abriu a Primeira Mostra Internacional de Mímica de Brasília o espetáculo “Retratos de meu Brasil Brasileiro” e mais uma vez surpreendeu com sua forma radical de fazer mímica e apontando, como já é sua marca, caminhos para a vanguarda dessa arte no Brasil. O espetáculo teve adesão absoluta do público que o aplaudiu de pé. Foram três pantomimas com roteiros bem amarrados e uma imensa exigência física em cena. Miqueias demonstrou o vigor de sua técnica e reinou no palco como um dos grandes mestres desta arte.
Quem viu, viu!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Luis Louis em Cena.


"Falas de um Mímico" espetáculo com força
dramatúrgica.
A Primeira Mostra Internacional de Mímica de Brasília, reservou muitas surpresas. Além da diversidade de linguagens com total respeito à diferenças artísticas e os padrões criativos propostos a partir de escolas diferenciadas! Não há dúvida que um dos detaques desta mostra foi o mímico Luis Louis. Artista completo com grande poder dramático e criativo, luis Louis com seu espetáculo “Falas de um Mímico” deixou uma marca no coração do público brasiliense.
Palavras de um mímico tem uma dramaturgia bem resolvida e os quadros de mímica apresentados pelo artista mostram não só a maturidade como a segurança técnica em cena. Luis Louis fez o público “viajar” em suas reflexões cotidianas narrando, através da mímica e das palavras, momentos da vida que bem se ajustava a cada integrante da platéia no que diz respeito à reflexão propostas.

Luis Louis, uma voz que se faz ouvir entre os mímicos!
Além de apresentar seu trabalho em cena, o artista paulistano já era esperado pela própria classe artística, que sabia de seus estudos através da sua dissertação de mestrado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Um estudo aprofundado que aponta caminhos para uma mímica contemporânea e que desfaz diversos tabus e preconceitos sobre esta forma de arte.
Nos debates, Luis Louis foi ouvido e o público presente soube reconhecer a importância de seu trabalho. O diálogo e o trânsito do pensar gestual abriu caminho para diversas reflexões que afirmam a maturidade da prática da arte gestual no Brasil. Luis Louis foi enfático ao dizer “temos que apostar na nosa autoestima, o Brasil já vem, há muito tempo, fazendo mímica com qualidade”!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Jader, o mímico que veio da Colômbia.


Com ótima tirada musical a mímica de
Jader fez o público sonhar!

Foi uma imensa alegria ver o trabalho do mímico colombiano Jader Guerra, ele trouxe um trabalho cheio de vitalidade e novidades. Seu gestual preciso e rápido conquistou a platéia. Sua capacidade de comunicação precisa fez o público cair de joelhos a seus pés. Um dos mais belos espetáculos solos já vistos pela terra brasílis, Jader esbanjou elegância, bom gosto e precisão técnica e se destacou pela forma genial de “jogar” com a platéia.
Levou pessoas do público para o palco e elas simplesmente se tornaram artistas como ele, que, generosamente, fazia o convidado brilhar em cada gag que fazia.
Depois de nos brindar com ótimos números recheados com uma rica trilha sonora ele próprio executou um número musical em que fazia surgir sons de pequenos sinos coloridos, com uma melodia que dava um toque todo especial ao espetáculo.
Jader Guerra tinha um repertório técnico e de improviso praticamente sem fim. A cada novo segundo do espetáculo ele retirava, sempre, uma nova carta da manga até o momento em que vestiu uma máscara gigante e se transformou num boneco que fazia cenas incríveis com a “partner” que ele retirou do meio do público. Realmente um momento muito rico durante seu belo espetáculo.

Com a cabeça gigante de um boneco, Jader esbanjou técnica e improvisou
deixando a expectadora feliz e bem à vontade, diante de uma platéia lotada!
Depois do espetáculo, conversamos com ele e percebemos que estávamos diante de um artista completo, Jader confessou seu amor pela música e pelo teatro além de ser, em Medelín, sua cidade natal, um gestor cultural que organiza lá um importante festival de mímica chamado MIMAME.
Ficamos orgulhosos de ter como presente, a presença deste extraordinário artista que já esteve no Brasil algumas vezes, inclusive, participou do evento Anjos do Picadeiro, organizado pelo grupo Teatro de Anônimos, do Rio de Janeiro. Depois de vibrarmos com seu espetáculo, convivemos com ele durante 4 dias e nos tornamos aprendizes de sua sabedoria artística e seu poder pessoal.
Jader arrasou!

terça-feira, 12 de junho de 2012

ALVÍSSARAS, BRASÍLIA!


Uma mostra inesquecível.

Miqueias Paz, idealizador e curador da Mostra Internacional
de mímica de Brasília.
Durante os 4 dias que ficamos em Brasília, prestigiando e participando da “Primeira Mostra Internacional de Mímica de Brasília”, tivemos a grata surpresa não só de conviver com a diversidade criativa nesta forma de arte mas também de encontrar um fluxo muito intenso de pessoas que faziam filas gigantescas na frente da sala Plínio Marcos. No penúltimo dia de espetáculo, quando todos se reuniram para, num certo sentido, fazer uma “avaliação do encontro”, concluímos que, finalmente, depois de décadas, o público brasileiro consagrou a arte da mímica com sua presença em massa!
Com a casa lotada, todos os dias, o público de Brasília foi a grande
vedete da mostra. Impondo sua presença e consagrando a mímica!
Como disse Luis Louis em uma conversa informal e que depois foi confirmada no debate, “no final das contas o que conta mesmo é o público”. O público, com seu jeito de ser e se comportar, sempre dá a resposta que vai além de todos os nossos esforços para criar e estudar nossa arte. A aprovação do público tem diversos significados, um deles, é atestar a maturidade de um tipo de expressão, e, desta forma, podemos dizer que a Mímica vai bem, obrigado!
Casa lotada é um fator simbólico para a consagração de um tipo de arte. Mas temos que ficar atentos, os aplausos precisam ser vistos com cuidado e embora seja algo que “alivia a alma” e se articula com nosso sentido de lidar com o público, a tradicional “reverência do artista” deve ser também, um gesto para permitir que o som deste aplauso se espalhe pelo teatro, além de nós e contemple toda a cadeia produtiva que nos levou a ter contato com este público.

"Teatro del Cuerpo Fusion" de Cuba, conquistou o público os coletagas
de arte com sua presença marcante na "Primeira Mostra Internacional de
Mímica de Brasília" - 2012
Neste sentido, temos sempre de olhar, lembrar e agradecer, cada atitude de cada pessoa que trabalhou para que esta monumental mostra tenha seu real e profundo significado no coração da arte da mímica. Fica aqui, os meus sinceros agradecimentos a todos os que fizeram desta mostra talvez, o primeiro Grande Acontecimento internacional no Brasil, para a arte da mímica. Contemplando a diversidade de tendências, sem julgamento de estilo, estéticas e /ou condição social dos que lá estiveram presentes.  Todos os mímicos tiveram seu momento e todos foram respeitados dentro de suas técnicas e buscas.
ALVÍSSARAS! 
(Jiddu)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O filme "O Artista" e a Mímica no Cinema.


Estou lendo uma “Biografia Definitiva” sobre Charles Chaplin, o livro é um calhamaço de 789 páginas, o nome do autor David Robinson em cujo texto de apresentação do livro, se identifica como crítico de cinema e diretor do “Festival de Cinema Mudo de Perdenone”. Ou seja, o CINEMA MUDO NÃO MORREU. Nunca morreu, nunca vai morrer.  
Vendo o filme “O Artista” de Michel Hazanavicius, simplesmente pude constatar que não só o Cinema Mudo não morreu como é possível retratá-lo a partir de uma estética contemporânea, ainda que o filme em questão, faça uma releitura do cinema mudo que durou até meados de 1930, na verdade é um filme construído com recursos e qualidade contemporânea e o que há de mais recente no filme, comparado aos filmes da década de 20 é a movimentação dos artistas em 30 frames por segundo. Afora isso, o filme “O Artista” é um libelo, um presente para nossa época.
Até então, os filmes mudos ou com poucas palavras, a partir da década de 50, do século passado, mais ou menos, passaram a ser considerados filmes Cult. O jargão, criado pela mídia teve como principal estratégia a reserva de mercado, a tentativa de matar o passado, salvando um único “exemplar da espécie”, Charles Chaplin.
Mas o cinema mudo nunca morreu e nem vai morrer assim como o teatro mudo, o circo mudo, enfim, a opção por uma arte muda, onde o silêncio somado de elementos que podem ser sonoros, inclusive a fala, podem dar o mote para um diálogo cênico mais profundo com o expectador. Todo mundo gosta de filme mudo. E o filme mudo evoluiu.
O filme “O Artista” é um presente, como já disse, pela forma como expressa sua mímica corporal e facial e a maneira como propõe um diálogo intenso que nasce na imaginação, na sensibilidade poética do expectador. Filmes assim são importantes, necessários, ajudam a gente a perceber nuances que só podem ser pinceladas pelo silêncio, pelo discurso orgânico vindo de contrações musculares e faciais, acompanhados ou não por música.
Para que curte mímica, recomendo este filme. Ele é básico e importante para nos ajudar a construir um universo corporal cênico que inclua, também, o silêncio e o comedimento das palavras.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch, Ken Davitian, Malcolm McDowell.
Produção: Thomas Langmann, Emmanuel Montamat
Roteiro: Michel Hazanavicius
Fotografia: Guillaume Schiffman
Trilha Sonora: Ludovic Bource
Duração: 100 min.
Ano: 2011
País: França/ Bélgica
Gênero: Drama
Cor: Preto e Branco
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: La Petite Reine / uFilm / JD Productions
Classificação: 12 anos


sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Brasil olhando pela Mímica!

Clique para conhecer!
O Brasil que tem fama de ser a grande potência da América Latina sempre engatinhou no que diz respeito a festivais de mímica. Dificuldade de conseguir apoio da classe empresarial e do poder público, a palavra mímica foi "proibida" quando se tratava de enquadrar um projeto nos órgão burocráticos do país. Os melhores mímicos brasileiros, para "vender seu peixe" tiveram de camuflar seu trabalho usando o termo TEATRO e jamais usando a "famigerada" palavra PANTOMIMA, quando muito a palavra MÍMICA e TEATRO FÍSICO serviam como porta de entrada, nem que fosse pelos fundos!
Mas os ventos estão mudando. Em Brasília, surge um festival assumidamente de mímica, com característica internacional e, o que é melhor, dando provas de seu amadurecimento, incluído na lista dos convidados, a PANTOMIMA. O estilo de mímica "pantomímico" ficou marginalizado e foi ignorado pelos estudiosos, mais do que isso, em todos os "discursos" dos melhores pensadores desta arte no Brasil, a pantomima aparecia como vilã e não falta repertório para destruir o trabalho de dramaturgia gestual. Já ouvi termos como "arte menor", "imitação barata", "tradicionalismo", como se, ser tradicional fosse ruim. E por aí a fora...
Mas o Brasil, como era de se esperar, está crescendo também no universo da mímica e as pessoas estão percebendo que o importante é se expressar com diginidade, ética, amor e até humor em alguns casos! E é neste estado de felicidade que eu, Jiddu Saldanha, recebo meu primeiro convite para participar de um grande festival de mímica, a arte que pratico ha 22 anos, apesar da dor no joelho! Estou feliz, lá sei que vou encontrar meus pares, meus irmãos de luta, gente que vem pavimentando o caminho desta arte já ha muito tempo. Formando jovens e adultos que hoje fazem bonito na malha circense, teatral e televisiva do país. Talvez, um facho de esperança começa a surgir para a minha geração, muitos dos quais já nem fazem mais mímica por não terem conseguido vencer a solidão e falta de estímulo.
Meu caso foi diferente, desde que comecei a ser "demonizado" como artista de mímica, passei a me dedicar à literatura e fazer meus shows em eventos literários. Consegui inserção nos melhores teatros brasileiros mas sempre pelo viés da literatura, um paradoxo, já que o mímico, como é o meu caso, "quase não fala" no palco.
ESTOU MUITO FELIZ! Espero que o exemplo de Brasília seja seguido em todos os festivais brasileiros de mímica que surgirão daqui pra frente. Na minha opinião, um Festival de mímica deveria abarcar todas as formas de mímica. Do pantomimo ao ator de teatro gestual além da arte do ESTATUÍSMO, que é maravilhosa e popular. O Brasil, diferentemente da Europa, tem uma vocação aglutinadora e aqui, a experiência de misturar o mímico de rua e o mímico teatral pode dar muito certo, mas antes disso, precisamos fazer a lição de casa. Trabalhar por um território de expressão que nos permita respirar e conspirar juntos!