OBRIGADO POR ME PRESTIGIAR!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Mímica e Teatro Físico, a grande surpresa do teatro de Cabo Frio.

Nunca cobrei por minhas vivências de mímica, sempre fazia de forma graciosa e atendendo a chamado dos diretores da cidade, vez ou outra, pintava um dinheirinho mas o foco sempre foi divulgar e dar aos jovens, acesso à arte da mímica para que eles pudessem decidir qual escola seguir. Nem todos, no entanto, tiveram condições para seguir adiante, e, durante meus 12 anos de estada na cidade de Cabo Frio, não foram poucos os jovens que bateram à minha porta procurando o conhecimento deste tipo tão raro de teatro.

Daniel Arm, Gustavo Vieira e Sarah Fortes, a descoberta e colonização da arte da mímica para suas vidas de artistas
ainda iniciantes mas com grande talento e dedicação.


Desde que cheguei em Cabo Frio, em 2004, o cenógrafo, diretor de teatro e agitador cultural, hoje secretário de cultura da atual gestão do governo de Cabo Frio, José Facury. Me mostrou a cidade e os artistas locais. Foi amor à primeira vista. Ele me convidou para abrir o último festival estudantil, na época, só retomado 10 anos depois, coincidentemente, o retorno do FESTUD (Festival de Teatro Estudantil) teve, em sua 12ª edição, a minha participação de forma indireta, pois, sendo professor do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, tivemos uma forte representatividade neste festival, ocorrido em 2014.
A devastação política, causada por desentendimentos entre situação e oposição, amargou um atraso na vida teatral da cidade que não tem como mensurar, apesar disso, sempre houve resistência e a arte seguiu se adaptando, como um rio que contorna os barrancos. No ano de 2004 dei minha primeira oficina de mímica, em que participaram, entre muitos artistas locais, o ator Cesar Valentin e o, hoje, agitador cultural dos mais relevantes da cidade, Yuri Vasconcellos. Yuri, alguns anos depois, foi estudar com Júlio Adrião e criou seu primeiro solo narrativo, inspirado na obra de monteiro lobato, "A História das Invenções" já tem mais de 5 anos de vida. Neste espetáculo narrativo, Yuri utiliza técnicas de mímica, também, como expressão em cena. Além de Yuri e Cesar Valentin, alguns nomes estiveram presentes em minhas oficinas de mímica, tais como: Vivi Medina, Adassa Martins, Rafael Rodrigues, Bruno Peixoto, Louise Marrie, Julia Lima, Bárbara Morais, entre outros.

Em 2010, no Teatro Municipal de Cabo Frio, durante a realização do projeto 4X4 coordenado por Bruno Peixoto e
Fabio de Freitas, uma vivência em mímica que reuniu muita gente que batalha até hoje na vida artística de CABO FRIO
e RIO DE JANEIRO.

Entre uma e outra oficina, eu via aparecer nas minhas vivências, jovens vindos de diversas regiões de Cabo Frio e muitos já iniciados na arte do teatro, como Matheus Lima, que, algum tempo depois, foi estudar em Londres, trouxe seus conceitos e conhecimentos na arte do teatro físico e enriqueceu a cidade fazendo, inclusive, uma faxina, na visão estética do principal grupo de teatro da cidade de Cabo Frio, o grupo Creche na Coxia que, além de abraçar uma nova pequisa corporal emplacou um novo espetáculo chamado Hominus Brasilis, e que hoje, depois de uma indicação ao prêmio Shell de 2014, tornou-se um dos mais importantes trabalhos do teatro corporal nesta década. "Hominus Brasílis", foi dirigido pelos próprios componentes do grupo e, posteiormente, revisado por Júlio Adrião, um dos fortes nomes do atual teatro brasileiro. Hoje, o grupo criador de Hominus Brasilis chama-se  "Cia de Teatro Manual" e está sediada no Rio de Janeiro e Niteroi.
O ator da nova geração de Cabo Frio, Matheus Neves
faz sua performance de puro teatro físico, dirigido
por Kéren Hapuk, no Fest Solos 2 - 2015.
Com o passar do tempo, Cabo Frio, de certa forma, foi se tornando um polo atrativo para a arte da mímica. Em alguns eventos importantes da cidade, a mímica esteve presente, destaco aqui o FESQ (Festival de Esquetes de Cabo Frio) um evento incrível, que já teve 3 oficinas minhas, ministradas durante sua realização. Foi bonito ver alguns jovens do Rio de Janeiro e outros estados, procurar minha oficina e trocar idéias sobre teatro físico. Nunca procurei passar técnica alguma, minha oficina é uma provocação que visa despertar o devir corporal no estudante-artista, a provocação, é necessária para conferir ao interessado, o máximo de curiosidade sobre esta arte e somente a partir daí, levá-lo ao contato com a diversidade de técnicas e referências existente no campo do teatro físico. Teatro Físico, na verdade, é o outro nome dado à mímica, que vive transformações constantes e, também, uma forma de se libertar da pantomima, uma forma mais popular de mímica que predominou durante a evocação dessa forma de expressão teatral, no ocidente.
Atualmente, não tenho dado oficinas de mímica em Cabo Frio, a não ser um ou outro exercício, aqui e ali, no contexto das aulas do OFICENA - Curso Livre de Teatro, onde ministro aulas, auxiliando o diretor de teatro Italo luiz Moreira. Através de muito diálogo co Italo, vou mostrando, na medida em que sou solicitado, um pouco das técnicas de mímica que vão contribuir na formação livre do ator do OFICENA e contribuir para o resultado dos espetáculos que, variam entre Cenas Curtas e Repertório definido. Atualmente são duas as peças de repertório da Companhia Teatral OFICENA: "O Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, onde assino a direção junto com o mestre Italo Luiz Moreira e "O Inspetor Geral" de Nikolai Gógol, também direção mútua com este grande diretor, o Italo.

Com direção de Jean Monteiro - Harley de Bragança, divertiu o público do
Fest Solos 2 - 2015, com uma brilhante e inesperada performance que fez
a platéia desabar em risos!
Recentemente, no entanto, tive uma alegria rara e inesperada; 5 artistas estudantes da cidade abraçaram de forma visceral a arte da mímica, para minha surpresa, demonstraram familiarizados com a arte da pantomima; São eles: Jean Monteiro, Gustavo Vieira, Daniel Arm, Harley de Bragança, Keren-Hapuk, Matheus Noves e Sarah Fortes. Esta última, inclusive, com apenas 14 anos de idade, fez um belíssimo solo no fesTSolos 2 - 2015, com a performance Lorelice vai ao Baile. Jean Monteiro, fez uma direção artística do ator-estudante Harley de Bragança; já, Gustavo Vieira, criou seu primeiro solo de mímica utilizando seu histrionismo natural e seu dom avassalador para a comédia, na cena "O Banho". Daniel Arm, já trabalhado na arte da palhaçaria, é um ator-estudante com fortes características para a arte da mímica, sua criação dramática "Clow Hamlet" impressionou a platéia de Cabo Frio, durante o fesTSolos 2 - 2015. Já, o jovem aspirante a ator, Matheus Neves, dirigido por Kéren-Hapuk, impressionou com sua performance de Teatro Físico, levando ao palco um curioso personagem inspirado no homem das cavernas.
Vejo grandes possibilidades na arte da mímica na Cidade de Cabo Frio, uma nova geração está surgindo e parece buscar um contato mais direto com a arte da mímica; mergulhar mais fundo na linguagem e disposta a descobrir novas possibilidades. Por enquanto, ainda fico apreensivo. Será que Cabo Frio vai ser tonar um celeiro da mímica?

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Mímico brasuca viaja ao Chile.

Recebendo o prêmio Yolanda Hurtado, direto das mãos
do Sr. Roberto Hoppman.
A experiência de conviver com o povo de Santiago, Chile, gerou em mim, sentimentos complexos. A vontade de mostrar minha arte além fronteiras é uma delas. Poder conhecer um povo diferente em sua cultura mas semelhante em diversos aspectos com o Brasil. Sem dúvida que uma das melhores energias que pude sentir foi o amor e o respeito que o chileno tem para com o brasileiro. Andar pelas ruas de Santiago, sentir a velocidade de uma sociedade que trabalha como formiga, foi uma experiência linda e diferente. Estar em um país tão organizado, para os padrões da nossa tão sofrida América Latina, e conviver com uma população tão crítica de suas próprias idiossincrasias.
Outro fator que me manteve em estado de gratidão, foi a forma como fui tratado, não apenas pelas pessoas que me cercaram - para que eu tivesse a qualidade de vida necessária para cumprir minha missão naquele país -  mas também, pela equipe do belíssimo espaço cultural Taller Siglo XX Yolanda Hurtado. Um grupo de profissionais altamente qualificados, cada um rendendo o máximo em sua função específica. Momentos inesquecíveis que iam desde uma boa conversa à troca de experiência artística em todos os níveis. Lá, pude convviver, ainda que por pouco tempo com: Juan Galdamez, Antonio Ortiz "Toño", Roberto Jadue, Pablo Casals, Macarena Sides "Cota", Gabriela Souza, David Fernández, Roberto Hoppmann, Constanza Castillo, Luciano Marchant (videasta), Hugo Fernández (diseñador - disign).

Foram as três apresentações na cidade de Santiago: 

Espetáculo e bate papo com crianças e jovens da sociedade israelita Bet - El, onde pude, não apenas mostrar minha técnica mas também falar sobre ela. Um momento vivido com plenitude, poder sentir a força e a energia de uma juventude que vem chegando ao mundo com a fúria transformadora e ao mesmo tempo, o equipamento existencial e a ética trabalhada na sensibilidade da arte. Foi bonito ver, num pátio, abrigado por uma lona, tantos jovens interessados no que eu tinha pra dizer com meu silêncio e minhas palavras. A educação e o respeito, além da curiosidade e a alegria de viver, marcaram minha primeira performance em Santiago.

Ao final do espetáculo, receber o carinho da platéia, não tem preço!
Oficina de Mímica para artistas e educadores de Santiago. Um grupo seleto de pessoas especiais em suas almas e sensibilidades, permitiu uma troca de informação em um curto período de apenas 3 horas de duração mas intenso na completude gerada pela positividade das pessoas presentes. O santiaguino é um curioso, semelha-se muito ao brasileiro, pergunta tudo e tem uma sede de querer experimentar na prática, aquilo que se está dizendo. Além de um rico bom humor e uma inteligência aguçada pelo forte hábito de estudar, incutido no imaginário de um povo que deu ao mundo artistas como Pablo Neruda, Gabriela Mistral e Roberto Bolaño.

Espetáculo de mímica "Mímica Maravilhosa", que nada mais é que o espetáculo histórico que faço a 25 anos, "Por Detrás do Silêncio", que, depois de circular pelo nosso imenso país-continente, o Brasil, agora fez sua estréia numa ótima casa de espetáculo. O Taller Siglo XX Yolanda Hurtado, onde, com um público muito especial, colhido na melhor safra da sensibilidade santiaguina, pude me emocionar no palco, ao lado de pessoas como artista visual e cirurgião plástico, Roberto Hoppmann; a locutora da rádio universitária de Santiago, Lala Salamanca e o poeta chileno que é um dos mais conhecidos no Brasil, Leo Lobos. Ter pessoas assim na minha platéia, foi um privilégio, uma troca efusiva de experiência e sensibilidade, mergulhados na essência e no maior da vida!

Novos amigos, novos encontros para a vida! Da esquerda para a direinta:
Leo Lobos, Pablo Casals, Jiddu Saldanha, Roberto Hoppmann e
Macarena Sides "Cotta".
Circular por Santiago e reencontrar amigos como Noél Oiveira, Cristian Hernandez e Jeniffer Aburto, foi algo que não se esquece jamais. A acolhida, a troca de energia e informação, faz a gente pensar o quão parte se faz da comunidade planetária. Por um lado sou brasileiro, mas é como se aquelas pessoas que lá encontrei, já fosse parte de uma comunidade que, se não é uma família, ao menos, são vizinhos muito próximos e é como se já estivessem lá, esperando a minha volta.

Veja um resumo do que rolou em Santiago, Chile, pelo olhar da equipe do 
Taller Siglo XX Yolanda Hurtado.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Luis Louis faz um mapeamento da mímica no Brasil e no Mundo em seu novo livro!

Dizer que Luis Louis é um mestre em sua arte, não é pouco, já que ele se dedica de coração e alma às disciplinas ligadas à mímica. Mais que isso, criou seu postulado e passou a aplicar e transmitir seu conhecimento de forma generosa. Um trabalhador incansável onde nós, mímicos, só temos a agradecer. Não são poucas as notícias boas que chegam de São Paulo, direto do ateliê deste memorável artista e professor. 

Livro obrigatório para quem quer estudar a arte da mímica!

A novidade agora é o lançamento de seu novo livro, onde, de forma detalhada ele explica os parâmetros e as experiências ligadas à Mímica Total. Galera de São Paulo, e Brasil, não percam este glorioso lançamento que irá ocorrer no dia 22 de novembro. Mais um livro sobre mímica em língua portuguesa. É a nossa arte ganhando maturidade e conquistando o espaço que merece, desta vez, no coração do público crítico e observador da arte da mímica.

domingo, 1 de junho de 2014

Centro Teatral e Etc. e Tal, no protagonismo da mímica no Rio de Janeiro.


Nos últimos 10 anos, nenhum grupo ligado à mimica, no Brasil, conseguiu a proeza que o Centro Teatral Etc e Tal conseguiu. Levar a mímica para todo o país em diversas fatias de público, inclusive, rompendo o preconceito e mostrando esta forma artística nos grandes teatros. Não que outros mímicos não o tenham conseguido, mas no caso do Etc e Tal, como é popularmente conhecido, há um diferencial. O grupo tem ganhado as manchetes dos grandes jornais, conseguido inserções na mídia de massa e, o que é mais interessante ainda, ganhado editais disputados por grandes companhias de teatro e também conseguindo ser patrocinada, algo incomum no universo da mímica. Para sobreviver, os artistas que praticam este tipo de arte, precisam dar aula, fazer espetáculos alternativos e recorrer a atividades paralelas para manter viva a chama da tradição da mímica no Brasil. Cultores de uma prática artística praticamente invisível, os mímicos precisam se reinventar o tempo todo.
Só por esses motivos, o projeto mímica maravilhosa pode sentir orgulho por, de certa forma, ver na figura do Etc. e Tal, a continuidade segura da arte da mímica no Rio de Janeiro. O Centro Teatral Etc. e Tal, tem como ponta de lança de suas atividades, um repertório variado que não se repete. O grupo não tem um único modo de fazer mímica, é aberto a linguagens que traduzem sua inquietação. O elenco de artistas são, também, os gestores do grupo: Álvaro Assad, Márcio Moura e Melissa Teles Lobo, comemoram em 2014, orgulhosamente, os 20 anos de sucesso, e atualmente, com um circuito pelas Arenas Culturais Cariocas, apresentam, além de seu fabuloso repertório, oficinas de mímica e uma exposição que conta sua história desde o inicio, em 1994, quando o grupo foi criado. 
A inquietação do Centro Teatral Etc. e Tal, não tem limites, e  podemos contar, seguramente, com sua dedicação para manter firme a chama da mímica, Brasil a fora. Através de sua pesquisa artística e também por seu inconfundível profissionalismo esta trinca de mímicos vem fazendo bonito pela bela arte praticada por tantos artistas hoje, no país.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Protagonismo mímico em Brasília - uma mostra inesquecível.

A Segunda Mostra Internacional de Mímica de Brasília foi simplesmente magnífica, palavras são poucas para expressar a importância que este evento tem para o Brasil de hoje. Uma emoção incrível  ver mímicos da terceira geração brasileira juntos com novos personagens que estão aparecendo a contribuindo para pavimentar este “misterioso” caminho da arte do gesto. Além da bela e profunda conexão com os mímicos europeus e hermanos de todas as Américas. A mímica, uma arte incrível e que agora encontrou sua máxima interlocução na mostra de Brasília, onde reside o mímico idealizador e curador, Miqueias Paz;  junto com um time de primeira, a produtora Matéria Prima deu um salto ousado ao conseguir convencer as bancas de editais a darem à arte da mímica, o protagonismo merecido!

Reunir mímicos, produtores e realizadores, juntos, num mesmo ideal: Protagonizar a arte da mímica perante o público brasileiro, em especial, o caloroso público das cidades de Brasília e Taguatinga, no planalto central.


Uma produção perfeita, organizada, dando ao artista mímico o mesmo tratamento de todos os grandes festivais de artes do Brasil. Hotel de qualidade, comida boa, tratamento igualitário para todos, estafe técnico, respeito ao trabalho de cada um, cumprimento integral de todas as clausulas contratuais, realmente, uma mostra que merece se repetir e continuar ajudando a colocar os mímicos do Brasil e do mundo, na evidência da cena teatral ultratual.

A simbologia presente e Real.

Na mostra internacional de Brasília, um acontecimento inédito: artistas, empresários, familiares e  público em geral, prestigiaram a emocionante homenagem a Miqueias Paz, que comemorou 30 anos de sua história como mímico. Depois de muitas viagens pelo mundo e de encantar o Brasil com seu trabalho original, ele e a cidade de Brasília definitivamente, encontraram num, o sorriso do outro, e os brasilienses caíram a seus pés. 
Entre tantas homenagens, um bolo de aniversário com uma réplica de sua figura, compartilhado com o brilho das mãos do artista que, na mesma noite, viveu a emoção de ver seu filho, Abder Paz, também mímico, saudá-lo com uma bela performance, naquele momento, era como se todo o público o agradecesse pelos anos de alegria e reflexão que trouxera para o imaginário da suntuosa e ao mesmo tempo, jovem capital brasileira.
O reconhecimento do público é quase que algo inédito na arte da mímica no Brasil, onde os artistas deste gênero, são obrigados a driblar a ignorância pedagógica em relação à prática desta forma de arte teatral, a dificuldade de colocar o discurso, no contexto da arte em geral, vem do fato que, talvez, o Brasil ainda não se pensou em sua potencialidade mímica, mas, sem dúvida, Miquéias Paz é um desses artistas que trabalha muito, divulgando e promovendo o ofício em si, mas do que a si mesmo.

A Terceira Geração de Mímicos:

Abder Paz, possibilidade de permanência de uma quarta
geração de mímicos no Brasil!
Tecnicamente, a primeira geração de mímicos do Brasil é formada por Ricardo Bandeira e Luis de Lima (anos 40/50), os mímicos presentes no festival de Brasília, quase todos são da Terceira geração (começaram a trabalhar na década de 80), incluindo Miqueias Paz, uma forma simbólica já que não temos um estudo sério feito sobre esse assunto. Nossos principais estudos de mímica em língua portuguesa brasileira, destacam as técnicas contextualizadas a partir de parâmetro sugeridos por dois grandes mestres desta arte divulgados no Brasil: Marcel Marceau e Étienne  Decroux.
O Surgimento de uma quarta geração já está se anunciando no horizonte, artistas que ainda não chegaram aos 30 anos de idade, com boa formação, muitos já superando definitivamente a lamentável  “rivalidade” entre as escolas. No Brasil, o que se pode ver é uma convergência de artistas que estão cada vez mais se engajando na prática da mímica e trazendo a discussão para o campo das possibilidades coletivas ao invés de “vaidades” e “picuinhas”, resquício de nossa eterna subserviência ao cânone europeu.
A experiência da mímica no Brasil, e agora, recentemente na mostra de Brasília, aponta para uma tendência onde as inúmeras possibilidades começam a ganhar corpo.  Tornando possível a reorganização e a busca de melhores inserções no mercado.

SERÁ QUE CONSEGUIREMOS? VAMOS AGUARDAR AS CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

II MOSTRA INTERNACIONAL DE MÍMICA

Mostra celebra os 30 anos de carreira de Miquéias Paz e traz mímicos de várias partes do Brasil e do mundo para apresentações no Teatro Funarte Plínio Marcos e no SESI Taguatinga.

ATENÇÃO: Esta matéria foi cedida pela Matéria Prima Produções, responsável pelo evento. 



O Teatro Funarte Plínio Marcos e o SESI Taguatinga recebem, entre os dias 17 e 26 de maio, uma onda de espetáculos ensurdecedores. É a II Mostra Internacional de Mímica que traz ao Distrito Federal 14 espetáculos do gênero. Após o emocionante sucesso da I Mostra Internacional de Mímica realizada em 2012, quando milhares de pessoas se deliciaram com variadas formas de fazer mímica. A iniciativa busca investigar o desenvolvimento dos diversos modos de se expressar através da mímica.

Clássico? Contemporâneo? Erudito? Tradicional? Dramático? Cômico? Teatro? O que é exatamente essa linguagem? Mais uma vez, o intuito da organização da mostra é de ampliar o repertório e outras referências do público por meio da oferta de espetáculos do gênero. 

Miquéias Paz, curador da mostra, e que completa este ano 30 anos de carreira, explica que "a mímica teatral está hoje muito além do silêncio como seu pilar principal. A dramaturgia tem sido nossa parceira fundamental nas criações". Nesta mostra busca-se observar a tradição e as novas possibilidades que interferem nessa tradição, permitindo sua continuidade, buscando criar diálogo entre as diversas modalidades da mímica. "Alguns de nós a exemplo do fabuloso Jomi, que utilizou de sua surdez para produzir arte, desfila ternura sob as luzes da ribalta seguindo os passos do grande Marcel Marceau.

Mímicos paulistas, goianos, cariocas, baianos, brasilienses, colombianos, argentinos, franceses, alemães e espanhóis colocam na mesa, ou melhor nos palcos, variadas formas e inquietações da milenar e envolvente forma de atuação teatral.

AS ATRAÇÕES 
A novidade da edição deste ano é a presença de artistas europeus. A Cia. Punto Clown, da Espanha, e o mundialmente reconhecido Jomi - Josef Michael Kreutzer, da Alemanha, se apresentam na capital pela primeira vez.

Tanto Jomi quanto a Cia. Punto Clown trazem em seu repertório o estilo de mímica Pantomima, caracterizada pela figura de rosto pintado de branco e luvas, que comunica-se por meio de gestos ilustrativos desenhados no espaço.
  
De outros países da América Latina, teremos novamente o versátil Jader Clown, da Colômbia, que no ano passado envolveu e divertiu o público com suas desafiantes técnicas de mímicas e palhaçadas, e Daniel Quiroga, da Argentina.

Outras atrações que voltam à II Mostra Internacional de Mímica são: Jiddu Saldanha, do Rio de Janeiro, com sua maneira simples, direta e envolvente de fazer mímica, e Luis Louis, de São Paulo, com sua abordagem intensa das fronteiras da fala e do gesto. Goiânia é representada na série pela fabulosa companhia Teatro Ritual (que participou da primeira edição e volta com novo espetáculo) e pelo grupo Bastet estreante nesta segunda edição. 

Ainda de São Paulo, o evento traz este ano um dos mais respeitados mímicos brasileiros contemporâneos, Victor de Seixas, além de Albeto Gaus e Vanderli Santos da Cia Solar da Mímica. Outros artistas a se apresentarem serão Miquéias Paz, curador da mostra e primeiro mímico do Distrito Federal, que celebra seus 30 anos de atuação na área, e a Mimus - Companhia de Teatro, da Bahia.

Esse mosaico de artistas que compõem a II Mostra Internacional de Mímica expõe a riqueza dessa arte iniciada na rua. O público descobrirá que essa linguagem artística associada ao silêncio, é muito mais que isso, tendo evoluído mundialmente em sua diversas modalidades.

Espaço mimo - Outra novidade da segunda edição da Mostra Internacional de Mímica é o Espaço Mimo. É um espaço de convivência onde, público, criadores e interessados na arte da pantomima poderão trocar experiências com os artistas que compõem a mostra. Neste local haverá uma área de alimentação, DJs e diversas atividades para o público que poderá aguardar o início dos espetáculos em uma área pensada especialmente para agregar todos os participantes da mostra.

II Encontro Internacional de Mímicos - No dia 21 de maio, às 20h, no Espaço Mimo, a Mostra promove um encontro entre os mímicos participantes e estudantes de artes cênicas de instituições de ensino superior do Distrito Federal. O objetivo do encontro é discutir as perspectivas, a estética e os novos rumos da mímica contemporânea. Participam do encontro Miqueias Paz (DF), Jader Clown (Colômbia), A Mimus - Companhia de Teatro (BA), Jiddu Saldanha (RJ) e Victor de Seixas (SP). 

ATENÇÃO: Esta matéria foi cedida pela Matéria Prima Produções, responsável pelo evento. 


Copie e divulgue a programação completa.


VEJA O VÍDEO DA MOSTRA ANTERIOR - 2011